|
Muita gente não sabe, mas ele já é um dos esportes mais praticados no mundo. Há ainda aquelas pessoas que insistem em não considerá-lo como um esporte de fato. O certo é o xadrez está sendo cada vez mais utilizado nas escolas públicas e particulares para trabalhar a concentração e o raciocínio dos estudantes. Pais, alunos e professores são unânimes em apontar os benefícios pedagógicos dos enxadristas. Aspirante a uma vaga no curso de Controle e Automação, o estudante Lucas Crespo de Oliveira, de 17 anos, acredita que sairá na frente de muitos concorrentes graças ao jogo. “Aprendi a raciocinar muito jogando xadrez. Com isso, passei a ter mais facilidade nas matérias exatas que exigem concentração e raciocínio”, explica ele, que já conquistou o tricampeonato Mineiro Rápido de Xadrez. Lucas tem se sentido melhor também em relação á tomada de decisões e ao relacionamento com as pessoas. Foi exatamente o que aconteceu com Thiago Ceccotti, de 16 anos. Há quatro, sua mãe resolveu matriculá-lo em uma escola de xadrez. Além de melhorar a concentração de Thiago, a administradora Ana Paula Ceccotti, pretendia trabalhar a socialização do filho, considerado tímido e introvertido. Quatro anos depois, Thiago é tido como um adolescente expansivo e de fácil relacionamento, segundo a mãe. E com um detalhe: o jovem acaba de conquistar o título de campeão mineiro escolar de xadrez 2007. “É preciso deixar claro que deve haver o interesse e a dedicação do estudante” “Quero investir cada vez mais no xadrez. Desde que eu entrei, melhorei muito na escola e no relacionamento com as pessoas. Sem contar Que fiz muitas amizades. Gosto tanto que quero aprofundar e conquistar novos títulos”, sonha Thiago. “Uma outa coisa boa do xadrez é que a atividade ensina a saber perder e conviver com a derrota, situação comum na vida de qualquer pessoa. Ele melhorou tanto a concentração que nem precisa estudar mais para as provas de matemática”, completa Ana Paula. A diretora da Casa do Xadrez e da Federação Mineira de Xadrez, Luciane Sepúlveda Viana confirma que as duas instituições são procuradas cada vez mais por pais e estudantes com dificuldades na escola. Mas faz um alerta: “o xadrez não faz mágica. É preciso deixar claro que deve haver o interesse e a dedicação do estudante. Os pais e os próprios alunos não podem achar que ao ser matriculado no xadrez, tudo vai mudar de uma hora para outra, sem qualquer esforço. É claro que o xadrez trabalha e desenvolve a atenção, a concentração, o raciocínio e a memória”, completa Luciene. Segundo ela, o xadrez é um jogo muito dinâmico e cada peça pode ser movimentada de várias maneiras diferentes, obrigando o jogador a mudar o ritmo o tempo todo e a planejar jogadas que surpreendem o adversário. E surpreender os concorrentes está virando uma especialidade para o estudante Arthur Chiari (foto). Com apenas 10 anos, ele já conquistou o título Pan-Americano de xadrez e segue, no próximo mês, para a Turquia, onde disputará o mundial. Em julho desde ano, Arthur sagrou-se o brasileiro mais jovem a conquistar o título internacional de Mestre FIDE (Federação Internacional de Xadrez), cobiçado por enxadristas de todo o pais. “Pedagogicamente, ele teve um grande crescimento também. Além disso, é uma pessoa muito mais madura, que sabe lidar com as derrotas, limites e questões disciplinadas”, explica a mãe, Cristina Gontijo. Gláucio Castro (Repórter)
|